terça-feira, 17 de abril de 2012

O chapéu “couture” da Maison Michel

Poderia ser mais uma história de uma tradicional e conceituada marca de chapéus francesa se atualmente não pertencesse a Maison Chanel e tivesse como diretora artística a super criativa Laetitia Crahay – também responsável pelas bijuterias e jóias Chanel.

Tudo começou em 1936 com o chapeleiro Auguste Michel que abriu a sua loja na rue Sainte Anne 65 em Paris. Em 1968 a loja foi comprada por Pierre Debard e sua esposa Claudine. Em 1975 Debard reintroduziu Weismanns - a máquina de costura - que fazia os chapéus de palha com costuras invisíveis. Esses chapéus chamaram a atenção de Pierre Cardin e Yves Saint Laurent. A partir de 1980 começou a produzir a “haute couture” dos chapéus para Chanel, Givenchy e Lanvin. Em 1996 foi comprada pela Chanel e em 2005 o teatro, o cinema e a ópera se rendem aos encantos dessa fábrica artesanal de chapéus. 2006 foi o ano que Laetitia Crahay assume a direção artística da Maison Michel assim como os acessórios e jóias para a Chanel.

Assim começa a história moderna dessa marca histórica e artesanal que sob o comando de Crahay se tornou a marca de acessórios do momento. Ela transformou os chapéus de palha, o chapéu de feltro, o velejador, até os véus e os bonés de chuva de plástico em um objeto de desejo. Trouxe para eles um novo conceito com design moderno, lúdico e chique que ultrapassam as fronteiras de idade e tendência.

Utilizando todas as técnicas originais de confecção de um chapéu e campanhas publicitárias fotografadas por – ninguém menos do que - Karl Lagerfeld e top models como Lara Stone, celebridades como Sean Lennon, Clemence Posy entre outras, Laetitia transformou a Maison Michel em uma adorável, chique e desejável marca. Não levando a moda muito a sério e usando uma pitada de humor como melhor acabamento, ela também está preocupada com a responsabilidade social e utiliza o denim vintage para a confecção de peças únicas e exclusivas.

O segredo do sucesso: tudo feito à mão com os melhores tecidos e materiais, humor, elegância e a eterna renovação serão o grande trunfo para a Maison Michel resistir ao tempo.
Detalhe: a Maison Michel recebe os clientes no seu atelier na rue Sainte Anne para a confecção de seu chapéu sob-medida, ou melhor, “sur mesure” para homens e mulheres. Você escolhe o tipo de chapéu e material desejado. Isso é “três chic”.













segunda-feira, 16 de abril de 2012

Paris toujours Paris

Voltar para Paris é sempre uma grande alegria.
Aqui agora é a minha casa, aqui moram meus amores!
Como é bom estar em casa....





sexta-feira, 13 de abril de 2012

O café turco

Mais do que uma bebida, o café turco – “turk kahvesi” - é uma arte de viver. Na realidade os turcos tem uma relação com o café muito maior do que eles mesmos imaginam. “Café da manhã” em turco se diz “kahvalte”, o que significa “antes do café” e a palavra turca que denomina a cor marrom se traduz literalmente como “cor de café”. O mais interessante é que o café turco não vem da Turquia. No século XVI vinha da cidade de Mocha no Yémen, mas atualmente eles vêm dos quatro cantos do mundo. São os grãos brasileiros, colombianos e etíopes que fazem o café turco. Nos bazares de Istambul cada comerciante tem a sua opinião sobre a variedade ideal de grãos.

Na realidade o segredo do café turco está na sua preparação, a mesma depois de cinco séculos.
O pó do café na água é levado a ebulição várias vezes em uma panela especial de ferro ou de cobre chamada ”cezve”, a fim de obter uma consistência cremosa e uma espuma abundante e espessa. Logo em seguida ele é servido bem quente sem filtrar. Não se coloca açúcar ou adoçante depois para não misturar o pó que vai descendo aos poucos conforme seu café vai esfriando. O açúcar geralmente é acrescentado junto com o pó do café no início da preparação. “Negro como o inferno e forte como a morte” diz o provérbio turco. Mon dieu!




terça-feira, 10 de abril de 2012

Istambul, Byzance e Constantinopla.....

Antes de ser chamado de Istambul era Byzance, antiga cidade grega que controlava o comércio do mar do Norte foi conquistada pelos romanos, reconstruída e transformada em Constantinopla , capital do Império Romano. Foi tomada mais uma vez e, finalmente, se tornou a capital do Império Ottomano. 
Sua localização é privilegiada, está situada sobre o estreito de Bósforo que separa a Ásia da Europa e ainda tem a ligação com o mar do Norte e o mar de Mármara. Portanto, a cidade é a única no mundo que atravessa dois continentes.

Com tanta história, impossível não se sentir atraída por seus encantos. Afinal, uma cidade com tanta riqueza cultural que foi o início da nossa civilização e detentora de tanto poder, deveria ter muitas coisas interessantes para contar. Mas essa magia está mais viva no nosso imaginário do que na Istambul dos dias de hoje.

As mesquitas e os palácios suntosos nos dão uma pista de que tudo aquilo que imaginamos, de fato existiu, mas que infelizmente se perdeu....

O lado ruim que ninguém conta quando volta da viagem:
Encontramos hoje uma cidade super populada, muito pobre e sem infraestrutura para receber tantos turistas. Os monumentos rodeados de uma pobreza enorme. Um trânsito caótico e um povo rude que desprivilegia a mulher. Mas acredito que isso venha dos valores religiosos e morais da religião muçulmana. Também podíamos passar mais tempo aproveitando a cidade do que preocupados se alguém vai nos passar para trás, uma prática muito comum com os turistas, não é à toa que existem várias delegacias de turistas espalhadas pela cidade antiga.

Decepções à parte. Não podemos negar que em algum lugar ainda podemos encontrar aquela aura de riqueza e as boas dicas que fazem a viagem valer a pena.

O lado bom que todo mundo conta quando volta da viagem:
O exotismo, a grandiosidade das construções e as técnicas feitas naquela época, a comida típica, o café e o chá turco, o artesanato, as jóias, o estilo de vida, as paisagens das mesquitas, o anoitecer na beira do Bósforo...
Isso sim, vale muito a pena!
Monumentos imperdíveis:

Hagia Sophia uma das maiores obras de arte da história da arquitetura mundial. Símbolo da potência bizantina e seu apogeu. A mesquita foi originalmente construída como igreja. A construção começou durante o reinado do imperador bizantino Constantino I.Foi reconstruída duas vezes até Mehmed II, o conquistador transformá-la em uma mesquita. A partir de 1935 até hoje Hagia Sophia só funciona como museu.

Blue Mosque e seus tijolos azuis. O chamado para a reza através dos seus alto-falantes.

Hippodrome encomendado por Septimus Severus para as corridas de biga com seus obeliscos gregos e a coluna Serpentine. 

Basilica Cisterna foi construída pelo imperador romano Justiniano para prover a cidade de água. São 336 colunas de mármore, duas delas com cabeças de medusa para a proteção contra o mal.
Igreja de Chora é considerada um dos mais belos exemplos da arte bizantina com os seus afrescos e mosaicos.

Palácio de Topkapi que serviu por 380 anos como a residência oficial dos sultões do império Otomano e o seu Harem. Uma visita inesquecível e cheia de imaginação.

Palácio Dolmabahçe símbolo da ocidentalização do império Otomano. Foi construído a pedido do sultão Abdulmecid I e tem a mistura do melhor estilo europeu/francês com o estilo otomano.

Passeios imperdíveis:

O Grand Bazar, o maior e mais antigo bazar coberto do mundo. Está localizado entre duas grandes mesquitas. Vende-se de tudo, desde as relíquias bem tradicionais como tapeçarias, pratarias, luminárias, bijuterias, jóias antigas até peças baratas e falsificações.

Bazar Egípcio é especializado especiarias, frutas secas, queijos mas tem também aquelas quinquilharias bem típicas. Foi construído em 1660 a pedido do sultão Turhan. Imperdível!!!

Cruzeiro pelo Bósforo. Você vai navegar ao lado de dois continentes, a Europa e a Ásia, ver a muralha de Constantinopla e a paisagem magnífica e imponente das grandes mesquitas de Istambul.  A mesma que impressionaram tanto a humanidade ao longo de milênios.

Programas imperdíveis:

Ver o anoitecer a beira do estreito de Bósforo no restaurante a beira da piscina do hotel çiragan Palace kempinski.

Pedir um café turco e depois disso ter o seu destino lido nos traçados na xícara

Um kebap (não é Kebab. Kebap significa “carne grelhada”) com pistache no restaurante Hamdi que fica bem ao lado do Bazar das Especiarias ou Egípcio 

Um chá turco a qualquer hora do dia.

Tomar um drink depois do jantar no La Reina, o bar restaurante mais bacana de Istambul e tem uma vista maravilhosa.

Salva-vidas:

Ficar em um hotel bem localizado
Depender o mínimo de taxi, o trânsito é caótico e eles vão tentar te roubar
Conferir sempre o troco
Visitar os locais com uma excursão guiada, evita as filas grandes e demoradas





















segunda-feira, 9 de abril de 2012

Paris - Istambul

Passei os últimos dias em Istambul, uma cidade curiosa que vive no nosso imaginário pela sua história e tradições.
Esse foi o motivo pelo qual não tenho escrito sobre Paris nos últimos dias.
Mas durante a semana contarei um pouco das coisas "branchés" de Istambul. Outras nem tanto, mas que servirão como dicas importantes para quem quiser conhecer um lugar que fica apenas a 3 horas de Paris. 

Bonne semaine!









segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mini Palais, o restaurante

Um restaurante que fica no Grand Palais não podia ser diferente. O Mini Palais surgiu dentro de um dos mais belos espaços parisienses e cada detalhe teve que ser pensado com cuidado e precisão. A ideia foi criar um ambiente sofisticado e elegante com a cara de um atelier de artista com vida e formas, onde a iluminação conta como elemento essencial para a aura do lugar. Madeira, esculturas e tecido fazem parte dessa decoração e se misturam harmoniosamente com a estrutura metálica, mosaicos e enormes portas em bronze. O terraço – aberto na primavera e no verão – com as suas colunas imperiais é um caso à parte. Delicioso para apreciar a vista da avenue Winston Churchill e o Petit Palais, ali na frente. Um luxo!
Neste cenário era evidente que a cozinha não poderia decepcionar. E foi o chef estrelado Eric Frechon que aceitou o desafio e hoje colhe os louros da nova empreitada. Com passagens pelos melhores restaurantes de Paris, como La Grande Cascade, La Tour D’Argent, Taillevent, Crillon e o Bristol – onde conquistou as 3 estrelas do prestigiado Guia Michelin – Eric Frechon escolheu desenvolver um cardápio simples e muito saboroso. Melhor ainda, autêntico e bastante acessível! Todos os pratos são baseados no produto, no seu aroma e paladar. Uma cozinha sem frescuras ou supérfluos mas super elegante. Como por exemplo, um ravioli com espuma de lagostim, presunto San Daniele sobre uma camada fina de burrata, frango a Kiev, nhoque com tomates e manjericão e um bife com purê de batatas. Viu como a gente pode ser simples e chique!

Mini Palais. 3 avenue Winston Churchill 75008 Paris tel. 01 42 56 42 42