sábado, 24 de novembro de 2012

Hot Dog que virou Chien Chaud


Segundo especialistas do assunto, o sanduíche da estação será o hot dog, ou melhor, o nosso cachorro quente. Por quê?! Porque segundo esses mesmos especialistas ele é a perfeita tradução da simplicidade culinária reconfortante. Traduzindo: ele é fácil de fazer e deixa todo mundo feliz! Como? O cachorro quente clássico é delicioso mas ele fica “branché” quando é reinventado por algum chef estrelado. Depois de algum tempo o cachorro quente vem sendo um dos sanduíches mais requisitados de alguns lugares super “branchês” de Paris.

Serge Padovano apostou todas as suas fichas no cachorro quente quando trouxe para a França o conceito inovador do Manhattan’s Hot Dog com a carrocinha metalizada e tudo! Uma filosofia completamente oposta da francesa. Diferente também são os ingredientes da salsicha, do pão e dos acompanhamentos. Salsicha de carne, mostarda adocicada, pickles, cheddar e cebolas para finalizar. Thierry Marx, o chefe do sofisticado Mandarin Oriental também ama esse gosto americano e diz que a primeira coisa que faz quando chega a NY é comer um “chien chaud”.

Lembrando que essa nova tendência parisiense é uma volta às origens culinárias. O “chien chaud”, cachorro quente em francês, é um produto europeu. Hoje o cachorro quente um dos sanduíches mais consumidos pelos americanos, nasceu lá, mas o seu ingrediente principal – a salsicha- era importada. Podia ser à base de carne ou de porco, a salsicha de Frankfurt era vendida nas ruas da Big Apple por imigrantes recém desembarcados do “velho continente”, a Europa.  Para facilitar, colocaram a salsicha envolta em um pão: assim nasceu o cachorro quente. O açougueiro alemão Charles Feltman abriu o seu primeiro corner na Coney Island por volta de 1870 e fez fortunas. Alguns anos mais tarde, ele foi destronado por um de seus antigos empregados, Nathan Handwerker que abriu o Nathans Famous, até hoje uma referência americana, ou até mundial, do cachorro quente.


Se o hot-dog cresceu no Brooklyn, hoje encontramos muitas variações dessa receita “new-yorkaise” por aqui. Claro que não vamos falar sobre a “demi-baguette-saucisse-fromage” que se vendia há uns tempos atrás nas boulangeries francesas. Hoje serão três dicas de “chien chaud”. O primeiro fica em uma pequena loja inaugurada no último verão bem no meio de bares descolados da rue Faubourg-Saint-Denis, a Hutch Hot Dog House e HHH para os íntimos. Ali pertinho fica o Little Fernand, o irmão mais novo do Big Fernand especializado nos burgers. Todos os ingredientes são artesanais como a mostarda, o queijo de cabra e por ai vai.

Os grandes chefs também apostam nessa nova tendência. O primeiro na França a tentar essa variação gastronômica – o cachorro quente com pedigree foi Thierry Marx, no fim dos anos 90 com uma salsicha de chevreuil  (ovas!), mostarda americana e cebolas fritas, tudo servido em um pão brioche salgado no salão super chique do seu restaurante de Cordeillan-Bages, um Relais Chateau.
Mas o hot-dog que está dando o que falar e, chegou até nas páginas do New York Times este ano, foi o do chef Yannick Alléno. Ideal para se degustar no balcão do seu mais novo restaurante o Terroir Parisien. A salsicha de vitela que vem acompanhada do molho “gribiche” - à base de maionese e ovos- é servida dentro de uma baguete branca te abre as portas para novos horizontes....... que permitem facilmente imaginar que a França adotará muitos outros cachorros quentes nesse inverno.
Terroir Parisien. 20, rue Saint Victor 75005 Paris 01 44 31 54 54 
www.yannick-alleno.com/carnet/terroir-parisien





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